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Se olhar pra frente…

segunda-feira, 8 de março de 2010

Em dezembro passado, o colunista Stephen Kanitz, da Veja, escreveu este artigo:

http://blog.kanitz.com.br/2009/12/governo-lula-e-o-governo-fhc.html

Lá, Kanitz faz uma análise e comparação entre o governo Lula e o governo FHC muito sucintas. Na ponta do lápis, é isso mesmo. É inegável que muita coisa melhorou neste governo. Mas também entendo mais ou menos o que o Eduardo Giannetti (este, inegavelmente um grande autor – leia uma resenha que fiz de seu livro Auto-Engano) quis dizer, quando citado no texto de Kanitz. Creio ser algo que todos sentem hora ou outra. Eu arriscaria dizer que nosso prosaico Zeca Pagodinho resume bem essa “percepção” com suas palavras: “Tá ruim, mas tá bom”. Ou seja, por mais que tanto tenha sido feito, todos sabemos que é insuficiente, que há MUITO, mas MUITO mesmo, por fazer e nesse sentido, o governo é ineficaz, lerdo. Parece que falta seriedade, comprometimento, mais ação e menos política(gem).

Resumindo: Quem olha pra trás, fica contente e satisfeito com o que foi alcançado no governo Lula. Mas pra quem olha para o futuro vai enxergar toda ordem de deficiências que precisam ser sanadas com urgência.

Todos sabem que “o futuro” se constrói com educação, conhecimento, ciência e tecnologia. E cadê o INVESTIMENTO PESADO em ciência e tecnologia? O futuro chegou e continuamos um país mediano nesses quesitos. Ainda somos um país de commodities. Toda nossa tecnologia mais avançada é ainda, para desenvolver e otimizar a produção dessas commodities.

Ou seja, o Brasil ainda é vítima de uma legislação – e visão política - arcaica que permite o clientelismo explícito ser exercido em todas as casas legislativas do país. Dessa forma, os governantes continuma governando para si e para quem os financia. E não para o povo, nem para o futuro.

E também, agora mesmo, vi no fantástico que há uma lei esperando a DEZENOVE ANOS para ser votada no congresso. A lei diz respeito a criação de uma política pública de resíduos sólidos, resumindo, para que o país avance na questão da reciclagem e tal. Mas veja bem, são DEZENOVE ANOS e o que os 500 e poucos deputados tem feito naquela maldita casa legislativa esse tempo todo? Cuidando de seus próprios interesses, é lógico… Alguém aí discorda? Se você costuma se informar minimamente (vide Jornal Hoje, Jornal Nacional) certamente se lembra de outros projetos de lei super importantes para a população que seguem engavetados. Eu lembre de um: Reforma política, a qual colocaria este país finalmente nos eixos (ou mais próximo disso).

Bom, tire suas conclusões! Mas pense bem:

DEZENOVE ANOS

Atualização 14/03/2010 – Acabei de ver aqui que a tal lei aqui lembrada foi votada na Câmara e segue para o Senado. Enfim!!!

Sobre as cores dos prédios públicos

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Rômulo Mafra em seu blog discutindo as cores da bandeira de Itajaí, mesmo em tom de discussão política, me suscitou uma lembrança/observação que sempre me incomoda quando vejo.

Aqui em Santa Catarina, e nos outros Estados não deve ser diferente, se tornou obrigatório que se pinte os prédios públicos com as cores da bandeira de Santa Catarina (ou de cada respectivo Estado). Incluindo aí escolas.

Eu, por força da profissão, observei esse ato político disfarçado de ato provinciano “patriótico” (não sei como se define patriotismo numa unidade federativa) com certa reserva. Qualquer decorador, arquiteto, artista, e outros profissionais um pouquinho mais informados (menos os políticos), sabem que as cores tem uma forte influência psicológica. Então quando vejo um colégio estadual pintado com as cores verde e vermelho berrantes, fico inconformado. Essa molecada já é “elétrica” por natureza, então tenho dó dos professores que tem que aguentar os alunos em meio a um ambiente rodeado de verde e vermelho. O verde em si é repousante, mas nos tons utilizados nos prédios por aqui, é um verde gritante, que aliado a um vermelho nefasto, não poderá jamais proporcionar qualquer tipo de tranquilidade mental a quem frequenta o tal ambiente pintado com essas cores.

Políticos, ouçam: BRANCO é a cor neutra por natureza, ideal para prédios/ambientes públicos. Ela apazigua ânimos; reflete todas as cores do espectro luminoso com equilíbrio, logo, proporciona efeitos psicológicos equilibrados. Niemeyer não optou pelo branco em Brasília “pra bonitu”. O Capitólio de Washington não é branco à toa. Querer ser patriótico fora do tempo, fora do lugar, se torna impróprio, inconveniente. Depois do branco, se você quiser MESMO usar cores nos ambientes públicos, para, no caso os catarinenses, não esquecerem as cores de sua bandeira, para isso existe o que se chama de TOM PASTEL, que equivale a uma dada cor ser reforçada com branco, de forma a ficar cada vez mais pálida sem com isso, perder sua identidade de cor.

Tenho dó também do arquiteto/engenheiro que teve que baixar a bola para os governantes (ou suas leis mal formuladas) e TER QUE PINTAR os prédios nessas cores de mal gosto. Só posso crer que fizeram a contra-gosto, porque qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento de teoria das cores, não faria o que fizeram por todo o Estado. A arrogância de uma idéia política mal discutida, ou imposta, venceu o bom gosto e o bom senso. E pior do que vencer o bom gosto, é vencer (ou nem considerar) o profissionalismo educacional. Afinal, tenho certeza que todo e qualquer professor prefere proferir suas aulas numa estrutura/ambiente PROFISSIONALMENTE projetados. Mas e quem liga para profissionalismo?

Bom senso político, na forma de um governo PROFISSIONAL, voltado para a comunidade, e não para os desejos caprichosos dos governantes, quando teremos?

Ronaud Pereira

Política não é brincadeira

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Em cidades como Porto Alegre, Florianópolis ocorre um fenômeno peculiar no comportamento dos torcedores dos times das respectivas cidades. Por exemplo em Porto Alegre, onde há dois times principais, Grêmio e Internacional, quando um deles sai de um determinado campeonato, seus respectivos torcedores torcem com toda a força para que o time que ficou competindo perca também. Tudo bem! É um esporte em que via de regra os torcedores não ganham nem perdem nada de valor com as vitórias ou derrotas de seus times. Torcer contra um time da própria cidade é até compreensível, embora ainda questionável, mas enfim.

Agora esse fenômeno ocorre também na política e revela um traço relativamente infantil dos eleitores. Em Balneário Camboriú observo com nitidez. Com a vitória de Edson Piriquito para prefeito, uma certa parcela de toda aquela patota acostumada ao poder por décadas torce com toda a força para que o governo do Piriquito dê errado em tudo o que for possível. E desconfio que essa “parcela” dos partidários dos derrotados nas eleições não seja muito pequena não.

Há uma citação de teólogo americano James Clarke com a qual aprendi a entender O QUE É POLÍTICA de verdade, e  a qual me serve de critério para essas considerações que ora exponho.

Um político pensa na próxima eleição. Um estadista, na próxima geração.

Esse pensamento pode ser expandido em vários sentidos e um deles certamente seria a diferenciação entre o político íntegro e o politiqueiro. Eu diria que o politiqueiro pensa só em si mesmo. Governa para si e se por acaso o povo vier a ser beneficiado com suas ações, sorte do povo. Já o político íntegro – espécie raríssima por aqui – pensa em sua comunidade, em sua cidade, pensa nas pessoas para as quais ele obteve o desígnio de conduzir.

E é essa a diferença que percebo que a comunidade de Balneário Camboriú – e certamente de muitas e muitas outras cidades – não consegue distinguir. Política não é esporte. Política não é brincadeira nem entretenimento. Em política você só torce por um único time – PARA A SUA COMUNIDADE!

Se o governo atual falhar, pode ganhar o seu partido, mas perde a cidade, perdem os indivíduos. Colocar o bem comum acima de interesses particulares / partidários deveria ser o mínimo para um cidadão se dizer consciente.

Obs.: Creio poder falar da política de Balneário Camboriú com isenção, afinal voto em Itajaí. E tenha certeza, definitivamente, eu torço por nossa região e não por esse ou aquele grupo.

Ronaud Pereira