O Rômulo Mafra em seu blog discutindo as cores da bandeira de Itajaí, mesmo em tom de discussão política, me suscitou uma lembrança/observação que sempre me incomoda quando vejo.
Aqui em Santa Catarina, e nos outros Estados não deve ser diferente, se tornou obrigatório que se pinte os prédios públicos com as cores da bandeira de Santa Catarina (ou de cada respectivo Estado). Incluindo aí escolas.
Eu, por força da profissão, observei esse ato político disfarçado de ato provinciano “patriótico” (não sei como se define patriotismo numa unidade federativa) com certa reserva. Qualquer decorador, arquiteto, artista, e outros profissionais um pouquinho mais informados (menos os políticos), sabem que as cores tem uma forte influência psicológica. Então quando vejo um colégio estadual pintado com as cores verde e vermelho berrantes, fico inconformado. Essa molecada já é “elétrica” por natureza, então tenho dó dos professores que tem que aguentar os alunos em meio a um ambiente rodeado de verde e vermelho. O verde em si é repousante, mas nos tons utilizados nos prédios por aqui, é um verde gritante, que aliado a um vermelho nefasto, não poderá jamais proporcionar qualquer tipo de tranquilidade mental a quem frequenta o tal ambiente pintado com essas cores.
Políticos, ouçam: BRANCO é a cor neutra por natureza, ideal para prédios/ambientes públicos. Ela apazigua ânimos; reflete todas as cores do espectro luminoso com equilíbrio, logo, proporciona efeitos psicológicos equilibrados. Niemeyer não optou pelo branco em Brasília “pra bonitu”. O Capitólio de Washington não é branco à toa. Querer ser patriótico fora do tempo, fora do lugar, se torna impróprio, inconveniente. Depois do branco, se você quiser MESMO usar cores nos ambientes públicos, para, no caso os catarinenses, não esquecerem as cores de sua bandeira, para isso existe o que se chama de TOM PASTEL, que equivale a uma dada cor ser reforçada com branco, de forma a ficar cada vez mais pálida sem com isso, perder sua identidade de cor.
Tenho dó também do arquiteto/engenheiro que teve que baixar a bola para os governantes (ou suas leis mal formuladas) e TER QUE PINTAR os prédios nessas cores de mal gosto. Só posso crer que fizeram a contra-gosto, porque qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento de teoria das cores, não faria o que fizeram por todo o Estado. A arrogância de uma idéia política mal discutida, ou imposta, venceu o bom gosto e o bom senso. E pior do que vencer o bom gosto, é vencer (ou nem considerar) o profissionalismo educacional. Afinal, tenho certeza que todo e qualquer professor prefere proferir suas aulas numa estrutura/ambiente PROFISSIONALMENTE projetados. Mas e quem liga para profissionalismo?
Bom senso político, na forma de um governo PROFISSIONAL, voltado para a comunidade, e não para os desejos caprichosos dos governantes, quando teremos?
Ronaud Pereira

